Inventário de riscos, classificação, plano de ação e evidências: o que o seu PGR precisa conter para atender ao recorte psicossocial da NR-1.
O PGR — Programa de Gerenciamento de Riscos — é onde a adequação à NR-1 psicossocial se materializa. É o documento que o auditor-fiscal pede, que sustenta a defesa da empresa e que organiza a gestão. E é também onde mais empresas erram: ou não incluem o tema, ou incluem de forma genérica demais para valer.
GRO e PGR: o contexto em 1 minuto
A NR-1 estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como processo contínuo de identificar, avaliar e controlar riscos. O PGR é a materialização documental desse processo, composto por dois pilares: o inventário de riscos e o plano de ação. Com a atualização da norma, os fatores psicossociais entram nesse fluxo como qualquer outro risco ocupacional.
O que o inventário de riscos deve conter
- Identificação dos fatores psicossociais presentes (ex.: sobrecarga, assédio, metas, falta de autonomia) por área/função
- Fonte dos dados: qual avaliação foi feita, com qual instrumento e quando
- Grupos expostos: quais áreas, unidades e funções
- Classificação de cada risco: combinação de severidade e probabilidade
- Medidas de controle existentes e sua eficácia atual
Como classificar severidade × probabilidade
A lógica é a mesma dos demais riscos: estimar a probabilidade de o fator gerar dano (com base na intensidade apontada pelo diagnóstico — por exemplo, % de respostas críticas no grupo) e a severidade do dano potencial (de desconforto a transtornos incapacitantes). O cruzamento define o nível do risco e a prioridade da ação. O importante é ter critério explícito e consistente — é isso que a fiscalização avalia.
O plano de ação que o auditor espera ver
Para cada risco relevante, o plano deve trazer medida, responsável, prazo e forma de acompanhamento. E com prioridade para medidas organizacionais (na fonte):
- Revisão de metas, carga e dimensionamento de equipes
- Clareza de papéis e processos de decisão
- Política e canal efetivo contra assédio (ex.: ouvidoria)
- Capacitação de líderes em gestão e segurança psicológica
- Pausas, organização de jornadas e regras de desconexão
- Medidas individuais (apoio psicológico, orientação) como complemento — não como única resposta
Evidências: o que guardar
Documentação vence discussão: relatórios da avaliação (por grupos, preservando o anonimato), atas e comunicados, listas e certificados de treinamento, registros do canal de denúncias, indicadores acompanhados e versões datadas do PGR. Em inspeção, é esse rastro que demonstra gestão contínua — não uma ação isolada.
Os erros que invalidam o trabalho
- Copiar um texto genérico de PGR sem dados da própria empresa
- Usar pesquisa de clima no lugar de avaliação estruturada
- Plano de ação sem responsáveis, prazos ou acompanhamento
- Não reavaliar: PGR psicossocial parado no tempo é PGR desatualizado
- Quebrar anonimato nos relatórios (além do risco legal, destrói a confiança)
O PGR psicossocial bem-feito conta uma história simples ao auditor: medimos com método, classificamos com critério, agimos com prazo e acompanhamos com indicador.
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